terça-feira, 21 de julho de 2009

4 meses, Sr. Diretor?!?

Hoje completam 4 meses de interdição do Instituto de Química da UFBA após o incêndio ocorrido em 21 de março de 2009.

Professores, funcionários e estudantes aguardam a limpeza do IQ, envolvidos em um clima de desânimo que se estampa em quase todas as faces.

Segundo as previsões originais, a remoção dos resíduos deveria estar completa na próxima segunda-feira, uma vez que a Rafer (empresa responsável pela limpeza) havia estimado um prazo de 3 semanas para a conclusão do serviço. Passaram-se 15 dias desde a nova interdição e muito pouco foi realizado... algumas medições foram feitas, placas de teto foram retiradas do 4o. andar e após intermináveis discussões entre a Rafer e a Prefeitura do Campus, um buraco foi aberto no 5o. andar para que se instalasse um tubo por onde os resíduos serão escoados...

Enquanto isso, os laboratórios continuam submetidos a condições inapropriadas, que aceleram o crescimento de fungos e, consequentemente, os danos aos equipamentos de pesquisa e ao material bibliográfico. Os pesquisadores, estudantes de pós-graduação e de iniciação científica continuam com suas atividades estagnadas.

O contrato com a Rafer foi firmado no valor de R$40 mil reais!!!

Não seria o caso de exigir da empresa maior presteza e agilidade nos serviços?

Por que a "operação tartaruga"?

Não bastam tantos prejuízos materiais e morais?!?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Comentários sobre a matéria do Jornal A Tarde

Várias pessoas deixaram seus comentários na homepage do Jornal A Tarde...


Ed (08/07/2009 - 21:10)

Sou aluno de química também, e gostaria de saber qual foi a real intenção de se aumentar o número de seguranças na porta do IQ... proteger o patrimônio ou ficarem batendo papo fiado? Pelo que vem acontecendo não foi a primeira opção! Quem será responsabilazado por esses furtos? Temos que lembrar que se trata de um Patrimônio Federal que estão roubando. Espero que a situação seja solucionada o mais rápido possível e que o IQ volte a pleno vapor!!!

Estudante Indignado (08/07/2009 - 18:15)

Pior que roubar alguns equipamentos é insistir na interdição do Instituto de Química, enquanto pelos menos 200 estudantes de Mestrado e Doutorado tem seus trabalhos e bolsas ameaçados. Projetos de encomenda com grandes instituições como a Petrobrás em atraso. Inúmeros equipamentos relegados a sorte. Isso é dinheiro do povo que paga pra ter pesquisa e desenvolvimento! E esses burrocratas impedem o acesso de quem quer produzir alegando risco a saúde. Além de tudo nem sabem Química!

Estudante Indignado (08/07/2009 - 13:32)

O que está sendo apresentado na reportagem é apenas a ponta do iceberg. Para maiores detalhes vejam o blog no link seguinte: http://oovodafenix.blogspot.com

Macedo Luiz (08/07/2009 - 10:28)

No Brasil da-se pouco valor ao fator segurança. Nos prédios residenciais, quando se fala em taxa extra para investimento em segurança, logo os condôminos reclamam e alguns não aprovam. Nas unidades públicas é muito pior, ou não há verba, e quando existe corta-se pela metade para outros investimentos. A burocracia nos ógãos públicos fomenta ainda mais esse câncer. Porque os pagamentos dos terceirizados são atrasados e com isso a motivação vai embora juntamente com a responsabilidade. É o Brasil.

Beto (08/07/2009 - 08:43)

Na Escola de Belas Artes - Ufba acontece a mesma coisa e até pior, a direção não faz nada.

Exupério (08/07/2009 - 07:25)

A coordenação de segurança da UFBA precisa ser substituída há muito tempo, tive um veículo furtado no campus de Ondina em 2007 e os seguranças sequer anotaram meus dados para fazer uma ocorrência interna.

Luiz (08/07/2009 - 01:08)

Sou aluno de química da UFBA, e no laboratório onde trabalho foram levados vários monitores e CPU de equipamentos. As câmeras do instituto só tão lá de enfeites, pois não servem pra nada!! Já aconteceram vários roubos e homens entrando no banheiro feminino para olhar as meninas no banheiro, e ninguém foi descoberto!! O que acontece realmente é uma ADMINISTRAÇÃO COMPETENTE!!! Falta direção!!!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Matéria no Jornal A Tarde

Ladrões roubam computadores e equipamentos do Instituto de Química

Amélia Vieira e Marjorie Moura, do A TARDE

Haroldo Abrantes/Agência A TARDE
Aulas voltam para o prédio do instituto em agosto, mas o quinto andar continuará fechado
Aulas voltam para o prédio do instituto em agosto, mas o quinto andar continuará fechado

Computadores e equipamentos de pesquisa do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba) vêm sendo furtados desde que o prédio foi isolado após o incêndio que atingiu parte do quinto andar, no dia 21 de março. O caso está sob investigação da Polícia Federal.

A situação vem alarmando professores e alunos, que reclamam ainda da deterioração dos aparelhos de alta sensibilidade que estão sem uso e manutenção. “É uma decisão equivocada manter o instituto fechado”, declara o professor Jailson de Andrade, que assegura não haver risco para a saúde.

Segundo relato de professores e alunos do doutorado que pediram para não se identificar, os primeiros furtos foram notados cinco semanas após o sinistro, quando alunos retornaram para fazer a manutenção de alguns equipamentos e notaram sinais de arrombamento. O caso foi levado ao conhecimento da Coordenação de Segurança da Ufba.

Dois meses depois do incêndio, uma comissão de professores e estudantes encaminhou um documento ao Ministério Público Federal (MPF), denunciando, inclusive, que o fornecimento de energia elétrica e água permaneciam suspensos e os livros mofavam. Uma semana depois, o problema foi corrigido.

“Os professores voltaram a entrar no prédio para ligar os equipamentos e notaram portas danificadas”, disse Jailson. “Temos equipamentos de alta sensibilidade que não podem ficar parados porque deterioram. Nossa intenção foi alertar que o prédio fechado é um prejuízo maior que o incêndio”, acrescentou.

Um aluno do doutorado conta que uma professora o chamou para ver uma sala que havia sido invadida: “Monitores e cabos estavam separados, arrumados para ser levados. Colocamos em outra sala e trancamos. A sala foi arrombada e tudo furtado. É alguém que conhece a estrutura”.

De acordo com ele, aparelhos de utilidade restrita também são levados, a exemplo de um espectômetro UV-VIS (instrumento portátil de campo) pertencente a um pesquisador.

A vice-diretora do instituto, Maria Luiza Corrêa, garante que no próximo semestre, que começa em agosto, as aulas serão ministradas no antigo prédio. Serão feitas adaptações no cronograma para que o primeiro e o segundo pavimentos abriguem também as atividades que funcionavam no quinto andar, onde ocorreu o incêndio, e quarto andar, atingido pelo rescaldo e com escoras para sustentar o piso.

“Estamos vendo com a reitoria a liberação de verba para a reforma”, ressalta Maria Luiza. Ela explica que esta semana os dejetos químicos do incêndio começam a ser retirados por uma empresa do Polo. Por isso, o prédio voltará a ficar interditado.

Edmundo Lopes dos Santos, coordenador da segurança da Ufba, explica que a atuação do órgão é preventiva, na fiscalização das atividades dos vigilantes e seguranças. Apesar de haver câmaras na parte externa do Instituto de Química, as imagens dos ladrões não foram flagradas.

“O incêndio comprometeu o sistema interno. Tentamos recuperar, mas não foi possível”, afirma o coronel José Soares Lima, assessor da Coordenação de Segurança da universidade. O setor justifica que as investigações estão sendo feitas pela Polícia Federal. Procurados, MPF e Polícia Federal não retornaram as ligações.

O assessor de comunicação da Ufba, Marco Queiroz, informou que a PF já recolheu amostras de digitais no instituto, mas disse achar difícil encontrar os ladrões porque a área vem sendo muito visitada por um número muito grande de pessoas ligadas à unidade. O assessor contestou informação prestada por Tâmara Terso, diretora de Mulheres do Diretório Central dos Estudantes da Ufba, de que a colocação de câmaras, a capinagem e a iluminação pouco mudaram o campus, apesar da intensa mobilização ocorrida depois que uma aluna foi estuprada em agosto de 2008.

Disse ainda que atrasos no pagamento de salários de terceirizados há cerca de três meses comprometeu a vigilância. Segundo o assessor, o número de vigilantes passou de 270 no ano passado para 520 em 2009.

Também afirmou que em 2008 havia 117 câmaras de vigilância e que o contrato prevê 400 câmaras e que a maioria já foi implantada, o que já permitiu que um invasor fosse flagrado, detido e entregue à Polícia Militar. Também contestou a falta de iluminação, embora tenha concordado que São Lázaro e o campus de Ondina sejam as áreas mais problemáticas.

Marco Queiroz também avaliou ainda que o aumento no número de estudantes que circulam à noite pelo campus, motivado pela implantação do Reuni, tornou a área menos isolada neste período.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Dilapidação de patrimônio público!

No dia 01/07/2007 a Profa. Cecília Espiridião, do Departamento de Físico-Química, comunicou à direção do Instituto de Química, na figura da diretora em exercício Profa. Maria Luiza Correa, que encontrou o laboratório 502 arrombado, com gavetas abertas e conteúdo revirado, jogado no chão. As portas de todos os armários encontravam-se abertas, exceto a do armário de reagentes, e algumas foram arrancadas. HDs foram encontrados sobre a bancada, mas os computadores e monitores velhos não foram mexidos. A Profa. Cecília solicitou providência imediata, como o havia feito anteriormente os professores do Departamento de Química Analítica...

Na próxima segunda-feira, o IQ voltará a ser interditado para que a empresa contratada possa fazer a limpeza e "descontaminação" do prédio, o que deve durar por pelo menos 3 (três) semanas.

Serão três semanas com o IQ à disposição dos ladrões?

Quem garantirá que outros laboratórios não terão suas infra-estruturas dilapidadas?

Para que serve a empresa de segurança que serve ao IQ?

terça-feira, 30 de junho de 2009

No limite...

Prezados Professores e Funcionários do IQ-UFBA

Pelo presente, venho formalmente comunicar aos senhores que os furtos de equipamentos continuam ocorrendo nos laboratórios do 4º. Andar. Hoje constatamos que vários armários de diferentes laboratórios foram arrombados e algumas coisas foram novamente subtraídas. Entre estes podemos listar: uma impressora, um monitor LCD, uma CPU completa e um espectrofotômetro portátil. Até os perfumes da NATURA de uma aluna do grupo foram roubados.

É válido ressaltar, que o que está sendo listado aqui é independente do que já foi relatado nos 2 ofícios que foram encaminhados anteriormente a Direção do Instituto de Química.

No livro de ocorrência do IQ, existe um relato que no dia 27 de junho foi observado que o Laboratório 403 (Lab. de Dr. Celso) havia sido arrombado.

Hoje pela manha (em torno de 10:00 hs) a Policia Federal foi chamada e às 14:00 hs peritos já chegaram ao IQ onde permaneceram até ás 17:00 hs.

Aguardamos providências urgentes,

Atenciosamente,

Professor Dr. Sérgio Luis Costa Ferreira, em mensagem à comunidade do IQ no dia 29/06/2009.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Buemba! Buemba!!! Terra de ninguém é... "Terra de Ladrões"!!!

Hoje pela manhã os professores do Departamento de Química Analítica, Maria das Graças Korn, Sérgio Luís Costa Ferreira e Leonardo Sena Gomes Teixeira, fizeram uma visita ao 4o. andar para verificar a situação dos equipamentos e salvaguardar os computadores que tiveram seus monitores LCD furtados. Qual a sua surpresa quando descobriram que duas CPUs estavam vazias, destituídas de todos os seus componentes internos, e que uma CPU completa havia desaparecido!!!

Os ladrões têm habilidade e tempo suficiente dentro do Instituto de Química para desmontar uma CPU, retirar a placa-mãe, processador, memórias, HD, placa de rede, fonte, placa de vídeo, drives de CD e disquete, entre outros componentes.

Voltamos a afirmar que o problema agora é com a Polícia Federal!

Mas ficam as perguntas:

- quem responde pela segurança do prédio?

- o que fazem os seguranças que "cuidam" do prédio, além de jogar damas, assistir TV e rádio, e bater papo???

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Terra de ninguém: até quando?

Alguns monitores LCD do Departamento de Química Analítica desapareceram no período de interdição do prédio do IQ-UFBA. O fato foi comunicado à direção para que fossem tomadas as devidas providências. Na última terça-feira, o monitor LCD do ICP-EM também despareceu...

Furtos de equipamentos no interior de uma instituição pública federal é assunto grave e deve ser comunicado à Polícia Federal para as devidas investigações.

O assunto não pode continuar sendo conversa de corredor.

Até quando persistirá a interdição?

Até quando o Instituto de Química permanecerá sendo "terra de ninguém"?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O IQ-UFBA e nós energizados!!!














Hoje às 9 h foi permitido o acesso de professores para acompanhar a reenergização dos laboratórios do Instituto de Química.

O acesso ocorreu na presença do Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Prof. Antônio Alberto, e do vice-reitor, Prof. Mesquita, que se comprometeram em garantir a liberação de acesso pelo SMURB e a religação da rede hidráulica.

Em comemoração, professores e estudantes de pós-graduação tomaram o primeiro café do rescaldo...














Aguardamos ansiosos o renascimento da Fênix!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mensagem do Diretor aos chefes de departamento confirma a reenergização do IQ

Prezados Chefes de Departamento.

Solicito que convoquem os responsáveis pelos laboratórios de pesquisados respectivos Departamentos para acompanhar a equipe da PCU na religação da energia elétrica nos respectivos laboratórios, amanhã(04/06/2009) a partir das 09:00 horas.

Informo que Paulão é o responsável do Instituto de Química pelo acompanhamento do pessoal da PCU e que a sub-estação do prédio e os barramentos do primeiro andar já estão energizados.

Atenciosamente.

Dirceu Martins
Diretor

IQ energizado

A hora de eclosão do ovo e do renascimento da fênix se aproxima...

Segundo informações da PRPPG, as obras de avaliação/reestruturação da rede elétrica do Instituto de Química foram concluídas do 1° ao 3° andar, e já estão energizados. Amanhã deve ser concluída a reenergização do 4° andar.

Agora é hora de retomar as atividades, limpar os laboratórios e salas de aula, dar manutenção nos equipamentos, etc.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Visita da CAPES

Na segunda feira recebemos a visita do Prof. Angelo Cunha, enviado pelo Presidente da CAPES, para avaliar a situação dos alunos que recebem bolsa CAPES em face do sinistro do IQ.

Em reunião na PRPPG oprofessor Angelo externou a preocupação quanto aos alunos ante a possibilidade de suspensão de bolsa após 90 dias sem atividade. Na terça feira em visita ao IQ ele concordou que o 5º. Andar necessita ser totalmente reconstruído e portanto os alunos que desenvolviam atividades de pesquisa naquele andar precisam ser realocados em outros laboratórios. No entanto, não entende por que os laboratórios dos outros andares ainda não encontram-se em atividade. No relatório que irá preparar estas observações devem estar incluídas.

Assim, nos próximos dias passaremos correspondências aos orientadores para informar claramente quais as atividades que estão sendo realizadas com cada um dos seus orientandos. Deverei enviar estas informações até opróximo final de semana.

Att

Jorge M. David
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Química

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Matéria no Jornal da Manhã - TV Bahia

Incêndio Ufba: professores fazem pedido ao MPF

22/05/2009 - 7h31m
*Da Redação, com informações do Jornal da Manhã: redacao@portalibahia.com.br

Professores e estudantes do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA) entregaram, na quinta-feira (21), um documento ao Ministério Público Federal, com o pedido que o órgão cobre da universidade agilidade no conserto do prédio atingido por um incêndio há dois meses.

De acordo com os pesquisadores, o prédio continua interditado, os escombros ainda estão no local e a energia elétrica está desligada. A preocupação é que os equipamentos que não foram atingidos pelo fogo fiquem deteriorados por falta de uso.

Matéria no Correio da Bahia

Professores da UFBA pedem ajuda ao MPF sobre incêndio em Química














Professores e estudantes do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia entregaram um documento ao Ministério Público Federal (MPF), na manhã desta quinta-feira (21), pedindo que o órgão cobre da UFBA agilidade no reparo do prédio atingido por um incêndio há 60 dias.

Segundo o professor titular do Instituto de Química Jailson de Andrade, desde que ocorreu o incêndio, o prédio continua interditado, os escombros ainda permanecem no local e a energia elétrica está desligada. 'O mofo já está tomando conta da área e até os equipamentos que não foram atingidos pelo fogo estão em avançado processo de deterioração porque não estão sendo usados', acrescentou Andrade.

As aulas práticas que ocorriam na unidade foram transferidas para outros prédios da UFBA e para o Cefet, no Barbalho. 'Está sendo feito um improviso para que possa ser cumprido o calendário acadêmico', disse Andrade. Ele comentou ainda que os estudantes que têm bolsas de iniciação científica estão sendo prejudicados já que não podem dar continuidade aos trabalhos experimentais. A reitoria da UFBA foi procurada pelo CORREIO, mas ainda não se manifestou sobre o assunto.

Matéria disponível em:
<http://correio24horas.globo.com/24horas/24horas.asp>

1ª Lavagem da Ladeira de Química ADIADA

Devido as chuvas torrenciais, a 1ª Lavagem da Ladeira de Química foi ADIADA!

Em breve uma nova data será divulgada...

Saudações.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

1ª Lavagem da Ladeira de Química

Convidamos toda a comunidade a participar da 1ª Lavagem da Ladeira de Química, ato comemorativo em favor da reabertura do Instituto de Química da UFBA. A lavagem começará às 15 horas desta sexta-feira, 22/05/2009.

Desta vez, devemos vir todos de branco e trazer como contribuição ao momento festivo: refrigerantes, sucos, petiscos e, como não podia faltar na Bahia, flores e água de cheiro para afastar a ziquizira que mantém nosso IQ de portas cerradas.

Saudações aos de boa fé!

Grupo de Professores da UFBA Protocola Representação no Ministério Público Federal

60 dias Após o Incêndio Ocorrido no IQ-UFBA o Prédio Continua Interditado.

A representação, de 000223 de 21 de maio de 2009, solicita que sejam adotadas providências em forma de denúncia. Trechos da denuncia estão listados abaixo:

1 - Em 21 de março de 2009 ocorreu um incêndio no Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia, UFBA, causando a destruição de aproximadamente 50% da área do quinto e último pavimento do prédio. Nesta área, estavam localizados laboratórios de ensino, de pesquisa e gabinetes de professores. Os demais pavimentos, embora não tenham sido afetados diretamente pelas chamas, sofreram as graves conseqüências do combate ao incêndio, especialmente em decorrência da água.

2 - Sessenta dias após o sinistro, o prédio continua interditado e não existe previsão de quando voltará a funcionar. As aulas práticas das disciplinas oferecidas a vários cursos de graduação estão prejudicadas, sendo que cerca de 200 estudantes de pós-graduação (75 de mestrado e 122 de doutorado) e 60 estudantes de iniciação cientifica continuam com as suas atividades de pesquisa paralisadas.

3 – Apenas a título exemplificativo, um dos equipamentos de Ressonância Magnética Nuclear, utilizado em atividades de ensino e pesquisa, localizado no primeiro andar do prédio, foi desmagnetizado, um mês após o sinistro, devido às condições inadequadas de climatização.

4 – Como este, um grande número de equipamentos, adquiridos com recursos públicos, que constituem importante parque instrumental, encontram-se em condições totalmente inadequadas e estão em processo de deterioração, devido à alta umidade e à ausência de climatização no interior do prédio.

5 - Livros e documentos importantes também estão em condições inapropriadas de manuseio e sujeitos à ação da umidade e de fungos. A situação do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia é, no mínimo, desesperadora, e o prejuízo pós-incêndio certamente é maior do que o causado pelo sinistro.

6 - Nestes dois meses, vários professores fizeram intervenções frente à direção do Instituto de Química e à Administração Central da UFBA, alertando para a gravidade da situação e solicitando providências para evitar a deterioração do material bibliográfico e dos equipamentos e, conseqüentemente, evitar o agravamento dos prejuízos sofridos pelo erário publico e mais ainda, causados ao nosso objetivo maior, que é a formação de recursos humanos altamente qualificados, acoplada à produção do conhecimento.

Devido a morosidade das ações, pois nem a limpeza do material resultante do sinistro foi realizada, foi requerida a intervenção do Ministério Público Federal para instar a UFBA a tomar as providências cabíveis e inadiáveis para restabelecer o pleno funcionamento das atividades do Instituto de Química, através das seguintes ações:

• Recuperação e restabelecimento da rede elétrica dos quatro pavimentos não atingidos pelo incêndio, de modo que seja possível climatizar os ambientes, testar e dar manutenção aos vários equipamentos;

• Viabilização do reinício das atividades acadêmicas nos departamentos de Química Orgânica, Inorgânica e Analítica e, também, das atividades administrativas que funcionam no terceiro andar do edifício sede do Instituto de Química;

• Início imediato das obras de reconstrução e/ou restauração do quinto andar do prédio, onde funciona o Departamento de Físico-Química, após necessária retirada dos escombros, que até hoje permanecem no local.

Assinam a Representação o(a)s seguintes professore(a)s do IQ-UFBA:

Jailson B. de Andrade; Wilson Lopes; Pedro Afonso; Vanessa Hatje; Vânia Campos; Artur Mascarenhas; Jorge David; Cristina Quintela; Silvio Cunha; Heloysa Andrade; Maria das Graças Korn; Luiz Carvalho; Vilma Mota e Luciana A. Silva.

Texto enviado pelo Prof. Jailson Andrade ao JORNAL DA CIÊNCIA - SBPC e ao Boletim Eletrônico da SBQ.

IQ-UFBA Fechado: A quem interessa?

A sabedoria popular ensina que, em sendo encontrada uma vaca no alto de uma árvore, que se faça a pergunta sobre quem a colocou lá e com que interesse. Isto porque este inusitado fato não deve ser uma mera coincidência, mas algo deliberadamente realizado, com um objetivo bem definido, que justamente dá suporte ao esdrúxulo.

Nesta quinta feira, 21 de maio, o Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (IQ-UFBA) completa dois meses de interdição, após um incêndio que ocorreu em parte do último andar de prédio com cinco pavimentos. Desde então poucas providências práticas foram tomadas: inicial interdição completa para o acesso de pessoas, seguida de um acesso controlado onde o ingressante deve assinar termo de responsabilidade por desejar entrar em ambiente tido como inóspito, escoramento de porções da estrutura do quarto e quinto andares, recuperação das calhas para águas pluviais que haviam sido parcialmente danificadas e uma ainda não concluída limpeza dos restos da queima. O acesso controlado destina-se apenas a estudantes e pesquisadores, pois que os vigilantes, e até funcionários do IQ, circulam e permanecem no prédio sem maior controle. Seriam mais imunes ao alardeado ambiente inóspito? Nada ainda foi sequer iniciado visando restabelecer o funcionamento da rede elétrica. Com a excessiva umidade atual, o mofo começa a se propagar de modo generalizado, os equipamentos não se encontram em condições mínimas de conservação, alguns já claramente danificados. Não se tem ainda um calendário para a efetiva implementação das providências práticas efetivas. As aulas teóricas vem sendo ministradas, não ocorrendo o mesmo com as aulas práticas, que estão sendo precariamente ministradas. O descontrole e a inadequada gestão do problema são tão grandes que se chegou ao descalabro de interdição da rua em frente ao prédio, como se o mesmo estivesse ameaçado de desabar, o que evidentemente não ocorre. Não faltam, no entanto, comissões, pareceres supostamente técnicos e discursos ao lado de promessas vãs. A insuficiência das providências práticas necessárias só encontra paralelo no “mar” de ofícios e comunicados, tão do agrado da burocracia, que num vai-e-vem inútil resultam num pesadelo “kafquiano”.

O absurdo da circunstância remete à pergunta sugerida mais acima: A quem interessa este estado de coisas? A que serve este absurdo ou, talvez melhor, a quem serve? Certamente não serve aos 200 alunos de pós-graduação que estão sob ameaça de terem as suas bolsas canceladas ou pelo menos suspensas. Igualmente não serve à formação de alunos de graduação, cuja qualidade é também reflexo de boas aulas de laboratório. Não serve aos pesquisadores e professores com compromissos vários, previamente assumidos, com agências, empresas e instituições várias. Não serve, portanto, ao pleno exercício da atividade fim da instituição.

Logo após o incêndio, ocorrido em 21 de março, o Ministro de Ciência e Tecnologia, em visita ao local, se comprometeu a buscar alternativas e recursos no sentido de uma rápida e eficiente retomada das atividades no IQ-UFBA - a unidade da UFBA que reúne maior número de pesquisadores do CNPq. Não consta que hoje, dois meses depois, haja sequer um único pleito, devidamente formalizado e justificado, solicitando recursos àquele ministério.

A única resposta plausível a tanta insensatez e irresponsabilidade é que tudo isto, pelo seu absurdo, interessa a alguém ou a alguns. Candidatos a coveiros no caso abundam.


Caio Castilho é Professor do Instituto de Física da UFBA.

Texto publicado no JORNAL DA CIÊNCIA - SBPC.

terça-feira, 19 de maio de 2009

CONVOCAÇÃO URGENTE

Prezados colegas,

Convocamos toda a comunidade do Instituto de Química da UFBA a se reunir em frente ao Ministério Público Federal às 9 h do dia 21/05/2009, data em que completaremos dois meses de interdição do IQ-UFBA. Na ocasião, entregaremos uma denúncia relatando a situação de abandono e os danos pós-incêndio sofridos pelo patrimônio público do IQ-UFBA.

Em protesto, convocamos todos a comparecem de luto.

Divulguem! Compareçam!

Ass.

Professores:

Artur José Santos Mascarenhas (DQGI)
Cristina Quintella (DQGI)
Gisele Olímpio da Rocha (DQA)
Heloysa Martins Carvalho Andrade (DQGI)
Jailson Bittencourt de Andrade (DQGI)
Jorge Maurício David (DQO)
Leonardo Sena Gomes Teixeira (DQA)
Luciana Almeida da Silva (DQGI)
Luiz Souza Carvalho (DQGI)
Maria das Graças Andrade Korn (DQA)
Pedro Afonso de Paula Pereira (DQGI)
Sérgio Luís Costa Ferreira (DQA)
Sílvio do Desterro Cunha (DQO)
Vanessa Hatje (DQA)
Vânia Palmeira Campos (DQA)
Vilma Mota da Silva (DQO)
Wilson Araújo Lopes (DQO)


O Ministério Público Federal localiza-se no Corredor da Vitória, Av. Sete de Setembro, 2365, ao lado do Museu de Arte da Bahia.

domingo, 17 de maio de 2009

O Prédio do IQ-UFBA Não Está Contaminado!

Como afirmei varias vezes pessoalmente aos Colegas, na reunião com os Estudantes de PG, no IGEO, e na Reunião (se é que podemos classificar assim) aberta da Congregação, no PAF I, O Prédio do IQ-UFBA Não Está Contaminado!

A avaliação realizada pela CETREL confirma isto! Nesse sentido, o ato de interdição ao prédio não tem mais sentido.

Agora, podemos retornar e iniciar, imediatamente, a limpeza dos escritórios e laboratórios não atingidos pelo fogo independentemente da retirada dos escombros do quinto andar.

Precisamos interromper imediatamente a deterioração acelerada do material bibliográfico e experimental, que está no prédio do IQ.

Esperamos presenciar cenas explicitas de solidariedade com os Colegas Sem escritório e/ou Sem Laboratório.








Jailson Bittencourt de Andrade
Professor Titular, UFBA

quinta-feira, 14 de maio de 2009

PGQUIM Paralisado!

Desde março passado mais de 200 alunos de mestrado e doutorado estão com atividades parcialmente paralisadas, o desenvolvimento dos projetos de pesquisa encontram-se suspensos. Alguns se deslocaram para outras instituições no país ou no exterior sem nenhuma garantia que, no pouco tempo que estarão visitando estes centros, poderão finalizar ou adiantar a parte experimental de seus projetos. Paralelamente os alunos de iniciação científica também estão com suas atividades alteradas.

Devo esclarecer que o Programa de Pós-graduação titulou no ano passado 45 alunos entre mestres e doutores! Praticamente todos nossos doutores estão empregados em Universidades e outras Instituições de ensino, Centros de Pesquisa ou Indústrias. Nossos ex-alunos pós-graduados são conhecidos por terem sido formados pelo Instituto de Química da UFBA uma vez que o PGQUIM faz parte do IQ desde sua fundação.

Hoje somos um programa reconhecido nacional e internacionalmente. Nossos êxitos foram alcançados graças ao empenho de professores do programa que submetem projetos em todos os editais públicos para aquisição de equipamentos, conseguir bolsas e outros subsídios necessários para o desenvolvimento das pesquisas. Deve-se salientar para a comunidade que os recursos levantados pelos pesquisadores devem ser totalmente empregados no desenvolvimento dos projetos de pesquisa. São recursos auditados e temos que prestar contas durante e no final do projeto.

Atualmente pesquisa em química se faz com equipamentos científicos. E IQ-UFBA conta com equipamentos de última geração. Não sabemos quais as condições dos equipamentos que não foram danificados pelo incêndio.

O programa paralisado tem como conseqüência imediata o aumento do tempo médio de titulação de nossos estudantes, diminuição do número de discentes titulados e conseqüentemente diminuição da produção científica (somos responsáveis por cerca de 20 % da produção da UFBA), corte do número de bolsas de estudos, recursos para pesquisa e rebaixamento do nosso conceito de curso.

Por fim gostaria de desabafar:

Não sabemos as causas do incêndio mas com certeza não foram os equipamentos de análise. Nem os cilindros de gases!

Todos os departamentos ou unidades com excelentes cursos de pós-graduação possuem excelentes cursos de graduação! O inverso também é válido!

É ilusão acreditar que poderemos esperar que seja construído um novo prédio antes de reiniciarmos nossas atividades didático-científicas!

Não existe universidade sem pesquisa científica! Quem não quiser fazer pesquisa deve procurar trabalhar em faculdades isoladas!

Não existe um tipo de ensino mais importante que outro! Nem existe universidade sem que nela se ensine, pesquise e mostre sua produção para a sociedade (extensão).

Salvador, maio de 2009

Jorge M. David
Prof. Associado

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ações da direção do IQ

O diretor do Instituto de Química, Prof. Dirceu Martins, enviou hoje uma comunicação a todos os professores comunicando quais atividades foram realizadas até o momento. De forma resumida, seguem os itens que constam da comunicação:
  • escoramento da laje do 5o. andar (e reforço no quarto andar);
  • recomposição da tubulação para escoamento da água de chuvas do telhado para o 5o. andar;
  • medição de radioatividade e teor de monóxido de carbono no local do incêndio;
  • instalação da Direção, secretaria acadêmicas e administrativas no Instituto de Física;
  • escala de técnicos para acompanhamento das aulas experimentais;
  • transferência de funcionários e do acervo da Biblioteca Setorial de Química para a Biblioteca Central;
  • transferência dos funcionários de limpeza (terceirizados) para outras unidades (IF, IGEO e BC);
  • acomodação das aulas teóricas em outras unidades e nos PAF 1 e 3;
  • acomodação das aulas experimentais em outras unidades (Biologia, Farmácia, Geociências, Politécnica) e no CEFET;
  • contratação de empresa de transporte para o trajeto Campus de Ondina - CEFET - Campus de Ondina;
  • contato com as empresas para retirada de cilindros de gases: foram removidos 67 cilindros da Lynde, 17 cilindros da White Martins, 1 cilindro da Air Products e 2 botijões de GLP da Brasilgás;
  • contato com a CETREL e com a GERDAU para remoção do lixo tóxico e dos escombros e sucatas metálicas, respectivamente;
  • contato e visita de funcionário da Rafer, empresa especializada em transporte de resíduos perigosos;
  • coleta de amostra de ar do IQ pela CETREL para análise da qualidade do ar ambiente;
  • disponibilização de salas e gabinetes para os professores do IQ;
Ainda segundo o informe do diretor, a remoção de resíduos, escombros e sucatas já foi autorizada. Ainda restariam os seguintes itens:
  • descontaminação do prédio por empresa especializada;
  • recomposição do sistema hidráulico;
  • avaliação e reconstituição da rede elétrica;
  • contratação da empresa para reforma da laje do 5o. andar;
  • desenvolvimento de projeto de adequação do prédio às normas de segurança, saúde e meio ambiente;
  • definição de locais para construção de novos laboratórios de pesquisa e ensino de acordo com as normas de segurança, saúde e meio ambiente;
Além disso, o diretor Dirceu Martins expôs no mural do Instituto de Física, uma seqüência de ofícios encamihados ao vice-reitor (reitor em exercício), solicitando que estas medidas sejam tomadas com urgência.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ofício do coordenador da PPGQ ao Diretor do IQ em 05/05/2009

Ilmo. Sr.
Prof. Dr. Dirceu Martins
MD Diretor do Instituto de Química - UFBA

Depois de mês e meio do incêndio ocorrido podemos constatar que até o momento não foram iniciadas obras de recuperação dos laboratórios atingidos e nem restabelecido energia elétrica nos pavimentos não atingidos.

O Programa de Pós-graduação em Química possui cerca de 190 estudantes matriculados nos cursos de mestrado e doutorado. São estudantes de várias partes da Bahia e do Brasil. Cinqüenta destes alunos iniciaram seus estudos pós-graduados no atual semestre e cerca de 50 necessitam finalizar seus estudos no próximo semestre.

Dentro da UFBA o PGQUIM é o programa que mais possui bolsas de mestrado e doutorado dentre CAPES, CNPq, FAPESB entre outras. Dentre os programas de química brasileiros,
proporcionalmente, é um dos programas que mais recebem bolsas do Brasil. O grande número de bolsas é reflexo do comprometimento dos alunos, docentes e técnicos no desenvolvimento da área no Estado bem como a produção científica e tecnológica associada.

Os docentes do programa entendem que é necessário a construção de novos laboratórios para abrigar novos laboratórios de pesquisa e de ensino, bem como salas de equipamentos. No entanto considera este pleito seja considerado concomitantemente com a reforma e requalificação do prédio atual do IQUFBA.

Deste modo, vimos por meio deste solicitar a Vossa Senhoria os seguintes esclarecimentos:

1. Já foram contratada(s) empresa(s) para remoção do entulho gerado pelo incêndio? Quais as
empresas contactadas e contratadas? Qual o custo? Existem recursos disponíveis?

2. A minuta de convênio com a Cetrel já foi redigida e assinada? Idem para a empresa que
receberá os entulhos metálicos?

3. A empresa que será responsável pela limpeza dos andares não atingidos já foi contratada?

4. A empresa, ou Prefeitura de Campus, já foi contactada e/ou contratada para iniciar
imediatamente a reenergização do prédio?

5. Conforme solicitação do Ministro de Ciência e Tecnologia, os prejuízos em equipamentos já
foram levantados?

6. Já foram avaliados os danos estruturais do quarto e quinto andares?

7. Qual o cronograma para os serviços e retomada das atividades no prédio?

O Programa de Pós-graduação entende que estas ações devem ser implementadas concomitantemente com a retirada dos dejetos do quinto e quarto andares e, tão logo estes forem removidos, as atividades de administração, pesquisa e ensino (graduação e pós-graduação) devem ser retornadas nos três primeiros andares.

Alertamos que o não retorno, mesmo parcialmente, das atividades de pesquisa e ensino no IQ
certamente acarretará, além de mais perdas, em aumento do tempo médio de titulação, diminuição da produção científica do programa, diminuição ou não oferecimento de novas vagas nos próximos editais e conseqüentemente devolução de bolsas de pós-graduação. Lembrando a Vossa Senhoria que o programa de pós-graduação em química está lotado no Instituto de Química e encontra-se em atividade desde a criação do mesmo.

No aguardo de Vossa manifestação, despeço-me.

Atenciosamente

Prof. Jorge M. David
Coordenador do PGquim


O referido ofício foi enviado com cópia ao Prof. Naomar Monteiro – Magnífico Reitor, ao Prof. Antônio Alberto Lopes – Pró-Reitor Pesquisa e Pós-graduação e aos membros da Congregação do IQ.

domingo, 10 de maio de 2009

Terra de ninguém

No dia 06/05/2009, o Prof. Sílvio do Desterro Cunha, professor do Departamento de Química Orgânica, encontrou a porta de acesso aos gabinetes dos professores arrombadas:


No dia 08/05/2009, a pedido do Prof. Jorge David, coordenador do programa de pós-graduação, os professores Heloysa Andrade e Artur Mascarenhas, do Departamento de Química Geral e Inorgânica, fizeram uma visita ao 1° andar para verificar se havia algum gabinete arrombado. Na ocasião, com o auxílio de uma lanterna, os professores verificaram que praticamente todos os gabinetes do Departamento de Química Orgânica haviam sido forçados com chave-de-fenda ou pé-de-cabra. Além disso, as portas dos laboratórios 104 e 108 também foram forçadas. O prof. Artur Mascarenhas comunicou o fato à secretaria da direção do IQ no mesmo dia.

Sede do INCT de Energia e Ambiente continua paralisada

“Seis semanas após o incêndio, o prédio continua interditado e não existe previsão de quando voltará a funcionar”.

Leia a mensagem de Jailson B. de Andrade, professor titular da Universidade Federal da Bahia e coordenador do INCT de Energia e Ambiente:

Incêndio ocorrido no prédio do Instituto de Química da UFBA em 21 de março destruiu metade do quinto andar da Unidade e afetou significativamente vários laboratórios do INCT de Energia e Ambiente, localizados nos andares abaixo.

Os laboratórios instalados no 4º andar do prédio, em área abaixo do local do incêndio, foram os mais afetados fisicamente. Alguns dos localizados no segundo andar foram afetados pela água que escorria na junta de dilatação da lage de concreto.

No momento, seis semanas após o sinistro, o prédio continua interditado e não existe previsão de quando voltará a funcionar. A demora na tomada de decisão e na contratação dos serviços necessários faz com que nem a limpeza ou a restauração das redes elétrica e hidráulica tenham sido iniciadas.

As aulas práticas das disciplinas oferecidas a vários cursos de graduação estão prejudicadas e cerca de 200 estudantes de pós-graduação (75 de mestrado e 122 de doutorado) e 60 estudantes de iniciação científica continuam com as suas atividades de pesquisa paralisadas.

O equipamento de Ressonância Magnética Nuclear de 300 MHz, localizado no primeiro andar do prédio, entrou em “quenching” na semana passada. O acesso à sala de professores no mesmo andar recentemente foi arrombado. Os livros já estão visivelmente atacados por fungos e vários equipamentos estão em processo de deterioração devido à alta umidade no interior do prédio.

Na contramão do MCT e MEC, que estão fortalecendo e ampliando a atividade de pesquisa no país, algumas IES ainda não conseguem dar um apoio proativo a estas atividades em seus campi.

A situação da pesquisa no Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia é, no mínimo, desesperadora e o prejuízo após o incêndio está sendo maior do que o causado pelo sinistro.

Texto extraído do Jornal da Ciência, 08/05/2009.

Instituto de Química da UFBA - O Prejuízo Pode Ser Ainda Maior!

Conforme noticiado, um incêndio ocorrido em 21 de março de 2009 destruiu significativo número de laboratórios de ensino e pesquisa do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (IQ-UFBA), deixando a instituição sem condições de operação normal. O prejuízo causado pelo fogo, a despeito do seu enorme valor, não deverá ser único. Laboratórios de pesquisa, com equipamentos de elevado valor financeiro, alguns muito recentemente importados, estão sujeitos a uma deterioração rápida, significativa e, lamentavelmente, inexorável. Além de um animus/anima interno profundamente abalado.

O prédio do IQ-UFBA possui 5 pavimentos, cada nível aproximadamente associado a cada um dos seus departamentos e um destinado, essencialmente, a atividades administrativas. O maior dano ocorreu no quinto andar, correspondente ao Departamento de Físico-Química. Severos danos ocorreram no quarto andar (Departamento de Química Analítica) e, aparentemente com menor intensidade, nos andares abaixo, que compreendem o Setor Administrativo, e os departamentos de Química Inorgânica e de Química Orgânica, nesta ordem.

Passados os primeiros momentos, com a natural mistura de atitudes e de humores, que vão do heroísmo à revolta, do susto à letargia, e do lamento à vontade de reconstrução, é possível melhor avaliar a presente situação. Providências mais óbvias e simples, que compreendem a instalação provisória de setores administrativos em outras unidades da UFBA, coleta de documentos mais sensíveis como os contábeis e o planejamento das aulas teóricas e a sua relocação foram já tomadas ou estão em fase de finalização. Restam, de mais difícil decisão face à sua exeqüibilidade, as aulas práticas, notadamente as de cursos de graduação. Mas, mesmo com relação a estas, providências urgentes são necessárias, afinal de contas a Química é uma ciência experimental. No que se refere aos cursos de pós-graduação as providências adotadas pelo Colegiado foram rápidas: redirecionamento de algumas etapas dos trabalhos previstos, encaminhamento de estudantes a outros centros de pesquisa que disponibilizaram seus recursos materiais e humanos, etc. Claro que não se poderá encaminhar todos os estudantes de PG para outras instituições. As soluções serão, necessariamente, numa base caso-a-caso e estão sendo buscadas.

Há, contudo, um espaço de vácuo nas decisões até então tomadas. E este vácuo compreende, essencialmente, os equipamentos mais sofisticados que a instituição dispõe - destinados à pesquisa e também ao ensino numa etapa mais sofisticada, tanto de graduação como de pós-graduação. Ainda que, inicialmente, tenha sido facultada a presença de responsáveis por laboratórios, e de seus assessores mais próximos, às instalações do primeiro e segundo andares e parcialmente às do quarto andar, para a adoção de providências elementares como a cobertura por mantas de plástico em alguns equipamentos e a coleta de reagentes e produtos que poderiam ser de algum maior dano potencial, surpreendentemente, este acesso foi suspenso. Assim, decorridas duas semanas do sinistro, não se tem um plano estabelecido, amplamente divulgado, seqüenciado temporalmente para a adoção das medidas que, caso-a-caso, os equipamentos exigem. Há um clima de profunda preocupação por parte dos responsáveis pelos laboratórios de pesquisa. Não foi divulgado um plano de remoção e re-instalação de equipamentos, seja para o seu uso ou para a simples manutenção dos mesmos em condições de adequada preservação. Não existem datas predefinidas para a avaliação das condições dos equipamentos, não foi explicitada a estratégia para a progressiva ativação dos circuitos elétricos que possibilitaria, pelo menos, o estabelecimento de condições mínimas necessárias de temperatura e de umidade para valiosos equipamentos. A possibilidade de “quenching” do Espectrômetro de RMN é apenas um exemplo, muito ilustrativo e emblemático, mas não o único. A instituição universitária, além de empresas e órgãos outros em funcionamento no Estado da Bahia, conforme demonstrado no mesmo dia do sinistro, possuem plenas condições para o trato de rejeitos e para a sua adequada manipulação e destinação final, sob parâmetros de plena segurança. Uma simples questão de decisão, expedita e equilibrada, diante de uma crise. A perícia, necessária e usualmente demandante de tempo, não só pode como deve ter o seu espaço de atuação preservado, mas este se restringe aos locais onde o fogo teve início e posteriormente se propagou. Assim, há plenas condições para um acesso controlado e planejado aos demais locais. A demora para a adoção de providências relativas aos equipamentos não afeta apenas os pesquisadores do IQ-UFBA mas também a seus colegas de outras unidades da UFBA, conhecedores das dificuldades que são inerentes para o planejar, o instalar e o operar laboratórios de pesquisa - uma solidariedade que advém do pleno conhecimento do ofício de ser um pesquisador. O Instituto Nacional de Tecnologia em Energia e Ambiente, liderado por pesquisadores da UFBA e envolvendo pesquisadores de várias outras regiões do país exemplifica bem estas dificuldades. Pesquisas em andamento foram interrompidas, projetos foram alterados, prazos necessariamente dilatados - tudo isto necessitando de revisão e de redefinição à luz de um essencial calendário de providências.

Vale observar que o IQ-UFBA possui um número significativo de pesquisadores com inserção nacional nas diversas áreas da Química. Entre estes estão dois pesquisadores nível I-A do CNPq, um pesquisador nível I-C e 9 pesquisadores nível II - uma condição sem paralelo na UFBA.
É preciso compreender que a condição de emergência não se encerrou com os trabalhos dos bombeiros. A ação de dano, causada pela demora em se encarar a totalidade dos problemas pode ser muito grave. Corre-se, assim, o risco de que a pesquisa sucumba à burocracia, esta mais atenta a minudências meramente formais, típicas dos cartórios.

Texto de Caio Castilho, professor do Instituto de Física da UFBA, no dia 06/04/2009 ao Jornal da Ciência - SBPC.

sábado, 9 de maio de 2009

Resiliência

Uma consulta ao Dicionário Houaiss, no que se refere à palavra RESILIÊNCIA, conduz ao significado de “capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças”.

O Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (IQ-UFBA) sofreu na tarde do último sábado (21 de março), um incêndio de significativas proporções. Vários laboratórios, notadamente os situados no último andar do prédio, foram severamente afetados. Um prejuízo de alguns muitos milhões e, principalmente, um severo golpe para pesquisadores que, ao longo de décadas, construíram, paciente e continuamente, uma infra-estrutura cientificamente respeitável, entre as melhores do país para a área. O IQ-UFBA mantém estreita colaboração com várias empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari, com a PETROBRAS e outras empresas que atuam na Bahia. Ainda hoje (segunda) deve ser iniciada uma perícia que poderá identificar as causas do incêndio e também terá início uma avaliação de danos nos diversos laboratórios. Destes, alguns sofreram com a água utilizada no combate às chamas e, acredita-se, alguns equipamentos, mesmo situados em laboratórios não atingidos pelo fogo, poderão ter sofrido dano, tanto pelo calor como também pela fuligem. Aparentemente a biblioteca do Instituto foi preservada. Mensagens de solidariedade de pesquisadores de todo o país não cessam de chegar, encaminhadas aos colegas da UFBA.

Proporcional ao dano ocorrido está a persistência de pesquisadores, docentes, estudantes e funcionários do IQ. Uma reunião, já anteriormente programada do órgão colegiado da pós-graduação, ocorreu na manhã desta segunda, tendo sido planejado o direcionamento de estudantes em fase final de dissertação ou teses para outros laboratórios do país. Uma análise preliminar leva à conclusão de que pelo menos 6 meses serão necessários para o retorno às atividades normais.

Reuniões inicialmente estão ocorrendo na rua em frente ao prédio posto que o acesso ao interior do mesmo está proibido. As precariedades do momento aparentemente não arrefecem o ânimo da comunidade do IQ. A palavra de ordem é reconstrução.

A fênix assim se manifesta, em terras baianas!

TEXTO DO PROF. CAIO CASTILHO DO INSTITUTO DE FÍSICA DA UFBA AO JORNAL DA CIÊNCIA - SBPC, EM 23/03/2009.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Ninho da Fênix

De acordo com as mitologias grega e egípcia, a fênix é um pássaro que renasce das próprias cinzas. Ao morrer, deixa um ovo em meio às cinzas, que eclode, libertando uma fênix renovada. Dentre suas principais características, diz-se que a fênix era capaz de carregar grandes fardos...

No dia 21 de março de 2009 um incêndio acidental paralisou as atividades do Instituto de Química da UFBA. Foi uma comoção geral por parte de estudantes, funcionários e professores...

Em meio à crise, o Prof. Dr. Jailson Andrade proclamou: "Devemos nos erguer em meio às cinzas, como uma fênix!".

Passaram-se 48 dias, e o Instituto de Química continua interditado...

O incêndio foi acidental, mas manter o Instituto de Química fechado por tanto tempo é criminoso.

É criminoso por manter toda a comunidade em estado de constante desânimo.

É criminoso por comprometer a qualidade do ensino de graduação e pós-graduação.

É criminoso por comprometer a infra-estrutura de pesquisa que levou anos para ser construída.

É criminoso por comprometer a qualidade do mais antigo programa de pós-graduação da Universidade Federal da Bahia.

Enquanto a ingerência da UFBA continua prolongando esta situação, cabe-nos cuidar do ovo da fênix a fim de que ela renasça em toda sua plenitude.